História e
Memória da Ceita dos Servos de Mictian
Na escura biblioteca empoeirada da fortaleza dos
Servos, no alto das montanhas geladas da cordilheira de Mictian, um velho
corcunda vestido com um manto negro rasgado e empoeirado, pousa a pena ao lado
do pergaminho que acabara de escrever e orgulhoso relê o texto que acabara de
escrever. Dizia...
Na
segunda era de Ibi, a escuridão descia sobre Ibi com suas longas garras frias.
O desconhecimento da humanidade sobre aquela dominação lhe fazia crer tratar-se
de algo maligno, pútrido e fétido. Ainda mais quando vis criaturas monstruosas
vagueavam como um exército por todos os cantos, espalhando a guerra à dor e a
morte.
Por toda
a extensão da floresta, hoje chamada de Mundeo, entre o Mar Pequeno e as
montanhas, essas criaturas se enfrentavam com outros selvagens, os curupis, com
seus cabelos vermelhos, montados em javalis gigantes e armados com lanças,
fundas e arcos. Mas os monstros da escuridão, Kurupis das Sombras, lusions e
outros mais, estavam armados com o frio e afiado aço, armas que os selvagens
curupis desconheciam. A guerra entre esses dois grupos se estendeu longa e
violentamente transformando grandes áreas em lamaçal de sangue e envenenando
rios e lagos, com a morte de milhares de criaturas.
Em meio
a isso, a humanidade buscava seguir sua vida da melhor maneira possível. Fugiam
da guerra e da desolação, sempre em movimento, como já estavam acostumados a
fazer, pois desconheciam a agricultura, a criação de animais e todos os demais
benefícios da civilização. Não havia um lado bom para a humanidade nessa
guerra. Curupis e Kurupis das Sombras massacravam igualmente tribos humanas
inteiras, quando acreditavam que estas poderiam estar colaborando com seu
inimigo.
Foi
então que num dia particularmente frio de inverno, uma das tribos humana particularmente
grande estava acampada no litoral do Mar Pequeno e foi cercado pelo imenso
exército negro de Kurupis das Sombras e demais monstros terríveis. Apesar de
ignorantes, os homens eram ignorantes, porém guerreiros. A despeito de toda
racionalidade, cercados por de dez mil monstros, não mais que cem guerreiros
pegaram suas primitivas armas e se preparam para lutar e morrer por seu povo.
A
matança era inevitável, mas antes que o trágico fim tivesse um início, uma
nuvem negra tomou o céu transformando o dia em noite. E, de repente, Mictian, senhor da sabedoria, poderoso M’Kar, se
interpôs entre aquelas duas forças desiguais.
- A
coragem de vocês homens, só não é maior que sua ignorância. – disse. – Por
milhares de anos foram abandonados por seus criadores e condenados a viverem na
barbárie e no caos da liberdade. Mas o tempo da infelicidade e da crueldade
acabou, pois lhes ofereço minha sabedoria, em troca de lealdade e obediência
inquestionável.
Então, o
chefe dos guerreiros homens se adiantou de seu pequeno exército e jogou sua
lança aos pés do M’Kar e se ajoelhou. Imediatamente, com o poder de Mictian, senhor da sabedoria, sua mente foi
inundada por todo conhecimento negado pelos anos de liberdade desproposital. Em
segundos sabia todas as técnicas de agricultura e pecuária, sabia metalurgia,
arte e escrita. Conhecia toda a história da criação e a degeneração dos M’Kar,
além da obstinada resistência de Mictian, senhor
da sabedoria, para levar luz ao mundo. E o guerreiro chorou.
E
todos os homens se ajoelharam e, em troca da obediência, também receberam sabedoria
plena e alta hierarquia na nova sociedade de Mictian, senhor da sabedoria. O poder do M’Kar se estendeu por toda Ibi e
por milhares de anos o mundo viveu sua era de sabedoria plena sob o seu governo.
Mas, por fim, a traição, a ignorância e a liberdade caótica prevaleceu depois
que uma nefasta aliança entre os M’Kar degenerados e os curupis derrotou os
exércitos de Mictian, senhor da
sabedoria, e confinou seus leais homens na Fortaleza dos Servos, ao lado da
torre negra onde nosso próprio senhor M’Kar se refugiou.
Mas
está chegando o dia em que o poder de Mictian, senhor da sabedoria, voltará a se estender por Ibi, recompensando que
lhe foi leal e punindo os traidores.
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