domingo, 10 de novembro de 2013

O Fim da Era de Mictian: O Herói Desconhecido.


O Fim da Era de Mictian: O Herói Desconhecido


Em um templo do deus da consciência Biquara, localizado ao lado de algum castelo da região central do Grande Reino de Nictheroy, o clérigo, com sua manta amarela e branca sobre o corpo, fazia seu sermão para um requintada plateia de nobres, entre cavaleiros e grandes duques. 

Hoje ele lembrava a história do Herói Desconhecido, o homem que pôs fim a terrível Era de Mictian. Dizia ele:

“Quando a humanidade esqueceu e ignorou os seus criadores, os Seis deuses enviaram um demônio chamado Mictian à Ibi, nosso mundo, para que esse lançasse trevas sobre o mundo e somente depois que os homens vencesse Mictian, poderiam se desenvolver plenamente.

O fim dessa Era viria pelas mãos do Herói Desconhecido. A humanidade que escapara das longas garras negras e cruéis de Mictian, havia se refugiado na ilha de Capão, eras antes de lá haver um reino. O nome do homem que uniu os povos e formou um grande exército, que incluía até mesmo selvagens curupis e outras criaturas, se perdeu ao longo da história, mas a memória de seus feitos jamais se apagará.

Micitan liderava pessoalmente seu exército. 1 milhão de terríveis e medonhas criaturas malignas, vindas das profundezas das montanhas, navegando em barcos com velas de fogo e casco dos ossos de seus inimigos, cruzavam o pequeno trecho de mar entre o continente e a ilha. Acima desse exército sinistro, que por onde passava transformava as águas em negras e escuras como o seus corações, voava Mictian na forma de uma terrível criatura gigantesca, com asas negras com envergadura de mil metros, o corpo magro com grandes garras do tamanho de Araucárias gigantes e uma cabeça com chifres de bodes, cuspindo fogo pela boca.   

Ao redor do Herói Desconhecido nas praias de Capão havia um exército de 10 mil bravos guerreiros, dispostos a se sacrificar pela humanidade. Usavam apenas lanças com pontas de pedra afiada, arcos primitivos e a coragens dos homens desesperados. O exército negro se aproximava da costa e o Herói Desconhecido levantou sua mão e soltou seu grito de guerra, acompanhado por seu exército, que apesar de menor, teve seu urro ouvido em todos os cantos de Ibi e por um momento paralisou os soldados de Mictian, o que irritou ainda mais o demônio. E ele atacou.

Só o bater de suas azas provocou um grande tufão, que varreu a costa e lançou milhares guerreiros pelos ares. De sua boca, cuspiu uma rajada de fogo, que transformou parte da areia da praia em vidro e os homens e animais que lá estavam em cinzas, imediatamente sopradas pelos ventos. O monstros de Mictian saltaram de seus navios e avançaram pelo litoral, prontos para engolir completamente o último dos exércitos dos homens.

O Herói Desconhecido foi o primeiro a avançar, seguido por seus guerreiros e o primeiro golpe foi dado por ele, no violento entrechoque daqueles exércitos desiguais. A coragem e a fúria benigna dos homens se contrastava com a selvageria maligna com que os monstros de Mictian atacavam. Em suas mãos carregavam armas de ferro negro venenoso, forjadas no interior da Cordilheira de Mictian, com seu fogo mágico.

Ao seu redor os homens morriam aos montes e os pés dos Herói Desconhecidos já estavam afundados até o joelho na lama sanguinolenta daquele massacre, mas em si, nenhum ferimento fora desferido. Ele girava sua lança com habilidade mortal, cortando seus inimigos que lhe rodeavam à centenas para lhe matar. Seu corpo já quase não respondia as ações de sua mente e todos os músculos lhe doíam como se fossem simplesmente se rasgar em pedaços. Ele morreria, sempre soube disso. Mas para isso o próprio demônio Mictian teria de ir até ele mata-lo.


Enquanto isso, os Seis deuses assistiam a tudo apreensivos. Fizeram o certo em mandar o demônio para punir a humanidade, mas agora, aqueles poucos homens que restaram, estavam provando seu valor. Os Seis julgaram então, que aquele era o momento da humanidade superar Mictian e abrir o caminho para a volta dos Seis em seus corações. 

Uma luz forte como o sol desceu sobre o Herói Desconhecido e afastou os monstros que lhe atacavam. Então do céu um enorme condor pousou na sua frente, ignorando o desenrolar sangrento da guerra ao seu redor. O Herói Desconhecido soube imediatamente que alguma força superior lhe enviara aquele animal, com o destino de acabar com a guerra. Não soube o que era essa força superior e morreria sem saber, mas imediatamente montou sobre a majestosa ave, que alçou voo.

Mictian arrasava a terra com suas enormes garras, criando penhascos enquanto matava os homens, quando viu seu maior rival, montado numa ave, vindo diretamente lhe enfrentar. O demônio abriu suas enormes asas, criando uma densa sombra que transformou o dia em noite. Rugiu tão alto, que o ouvido de todos os guerreiros em solo sangraram e cuspiu um fogo tão quente, que rios e lagos se evaporaram por toda região.

Mas nada atingiu o Herói Desconhecido e seu condor. Agora já não era apenas sua força e coragem e sim a vontade suprema dos Seis. Ele se colocou de pé nas costas da ave e arremessou sua lança, que tomou a forma de um raio e atingiu Mictian no peito. O demônio explodiu e de sua forma restou apenas uma sombra, que fugiu e se refugiou na cordilheira que leva seu nome. Com ele fugiram também seus monstros e os que ficaram foram derrotados pelos guerreiros humanos.

Dessa forma se acabou a Era de Mictian. O Herói Desconhecido viveu tempo suficiente para funda do outro lado do Mar Pequeno, a cidade de Ocak Nehri, que se tornaria o maior império já visto pela humanidade e onde, séculos mais tarde, os Seis se revelariam novamente.

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