sábado, 22 de novembro de 2014

A Criação segundo a Religião dos Seis

A Criação, segundo a Religião dos Seis.

Nem mesmo o mais absoluto vazio é completamente desprovido de tudo, por isso, quando nada existia, já existia algo. Algo sem definição concreta, apenas um conjunto de forças antagônicas, unidas em uma só para alcançar o equilíbrio.


Nem o tempo, nem o espaço existiam, mas essas forças antagônicas conheceram seu próprio desenvolvimento, sem nunca deixarem de ser uma coisa só. Assim surgiram os deuses, representantes em essência de cada uma dessas forças, que buscam o equilíbrio: deus Biquara é a força antagônica da deusa Emi; deus Ausûb é a força antagônica da deusa Açã; deus Orube é a força antagônica do deus Jurere.

Esses deuses não eram somente antagônicos a um dos deuses, como também distintos entre si. Seus poderes eram inimagináveis e a existência no vazio tornou-se insuficiente para essas forças. Então os deuses criaram! E surgiu o homem! Essa criatura nova era a reprodução física das forças dos deuses em um ser. Dessa forma, transposto para a materialidade e para o homem, a força desses deuses também ganhou definição: Biquara é o deus da consciência; Emi a deusa da vontade; Ausûb o deus do amor; Açã a deusa do ódio; Orube o deus da felicidade e Jurere o deus da tristeza.

O homem, criação dos deuses, com as forças essenciais dentro de si em busca de equilíbrio era tão perfeito, que os deuses lhe presentearam criando Ibi, um lugar onde ele pudesse habitar. Em Ibi criaram rios, mares, montanhas, desertos, campos, além de todo tipo de criaturas e plantas. Tudo era perfeito no mundo criado para o homem.

Mas então o impensável aconteceu. As forças dos deuses eram dependentes do equilíbrio entre si, mas Emi e Açã deixaram que a força essencial delas se tornassem absolutas em seu próprio ser e juntas decidiram fazer uma criação só delas. Assim surgiu a mulher, que dentro de si detinha somente o “ódio” e a “vontade” de suas deusas criadoras.

Biquara descobriu a traição e se levantou contra as deusas, liderando os demais deuses. Houve guerra e dessa guerra surgiram as estrelas, como faísca das armas que se chocavam. O equilíbrio estava quebrado e a própria essência existencial dos deuses, que são um só, se desfez. Suas criações sofriam e tudo que há de ruim em Ibi surgiu nesse período. Os deuses estavam se destruindo.

Foi então que Ausûb, deus do amor, propôs uma trégua. No acordo entre os deuses ficou definido que a mulher, criação de Emi e Açã, seriam aceitas e incorporadas à Ibi integralmente, mas para isso os demais deuses dariam à nova criação sua própria força essencial. Ainda assim, a corrupção de Emi e Açã era grande e suas forças predominavam na mulher. E por isso coube ao homem, criação conjunta dos seis, governar a mulher e a tudo em Ibi.

Essa junção do homem com a mulher gerou um fruto e seus descendentes começaram a ocupar toda Ibi. Diante dessa nova realidade, os deuses criaram o tempo e com o tempo, criaram a morte. Surgia também o dia e a noite.

A criação estava quase completa. Mas os Seis temeram que os descendentes de sua criação estavam se afastando dos deuses então resolveram fazer de suas forças uma constante presença em Ibi. Surgiam assim os períodos anuais. Cada período duraria noventa dias e noventa noites e seria dado aos deuses para que fizessem sua força essencial ser sentida na terra. Para Açã e Emi, como punição da antiga traição, foram dados apenas trinta dias para cada uma e Jurere, deus da tristeza, quis poupar a humanidade de sua própria força e ficou com apenas trinta dias e trinta noites para si. Dessa forma foi criado o ciclo anual, que se iniciaria com Biquara. O deus fez de sua força um tempo fresco e ventoso, perfeito para reflexão. Seria seguido por Açã e depois Emi, juntas fizeram de seus dias um tempo frio e pobre. Jurere terminava o período frio com seus trinta dias e seria seguido por Orube, que esquentaria o tempo e encheria tudo com flores coloridas para alegrar o coração de suas criações. Ausûb fecha o ciclo anual com um período quente como só o amor de sua essência pode ser.

Assim surgiu o mundo de ibi, onde o homem estava destinado a governar tudo e todos em nome dos Seis!

Nenhum comentário:

Postar um comentário